Como NÃO adoecer num mundo adoecido

Faltam apenas alguns dias para entrarmos na metade de 2026.
E eu gostaria que refletisse sobre o que aconteceu com aqueles objetivos, metas e planos que você escreveu no início do ano.
Antes de falar que não conseguiu fazer tudo, talvez valha a pena olhar para o que você efetivamente concretizou.
Vivemos numa época em que somos constantemente estimulados a pensar que precisamos fazer mais, produzir mais, conquistar mais, acumular mais.
E, curiosamente, quanto mais somamos, mais parece surgir a sensação de que ainda não é suficiente. Chamo isso de Síndrome do Insatisfeito(a).
Na prática clínica, percebo cada vez mais pessoas presas numa lógica de permanente insatisfação, pois Mesmo quando alcançam algo importante, rapidamente direcionam a atenção para aquilo que ainda falta.
E o resultado costuma ser conhecido, como ansiedade, frustração, cobranças excessivas, tristeza, melancolia e um constante sentimento de inadequação.
Com o tempo, esse desgaste emocional também encontra espaço no corpo através das somatizações, que pode aparecer o cansaço persistente, as dores, a falta de energia e o adoecimento físico e psicológico.
Por isso, ao invés de apenas acumular planos no papel ou na mente, talvez seja o momento de fazer uma pausa e fazer o exame de consciência, que consiste enxergar o que é possível realizar dentro da sua realidade e das suas circunstâncias.
A realidade é a única verdade a partir da qual há possibilidade de mudança.
Claro que imprevistos existem. Aliás, eles fazem parte da vida. Mas esperar pelas condições perfeitas para agir é uma armadilha que frequentemente nos mantém paralisados.
Qualidade de vida saudável não significa controlar tudo, mas cuidar de si diariamente, ou seja, em cada escolha, em cada decisão, em cada momento.
Significa estar comprometido com a sua própria história e não viver orientado pela história dos outros através das comparações, das exigências externas ou dos modelos de sucesso que muitas vezes não correspondem à sua realidade.
Aceitar a realidade não é conformismo e nem desistir dos seus objetivos.
Aceitar a realidade é ser honesto consigo mesmo e reconhecer onde está para poder caminhar para onde deseja chegar, sempre se baseando na realidade e circunstâncias. Porque somente quando nos relacionamos com a verdade sobre nós mesmos é que conseguimos nos contrariar, crescer e amadurecer. E talvez o amadurecimento da personalidade seja um dos maiores fatores de proteção para não adoecer num mundo adoecido.
Que a reflexão desta metade do ano não seja sobre tudo o que falta fazer, mas sobre o que já foi feito, o que ainda é possível construir e, principalmente, quem você está se tornando ao longo desse caminho, bem como, se conhecer de verdade diante da sua realidade de vida.
Cumprimentos,
Psicólogo André Traves CRP 06/71300 OPP 30114
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